E, na crista desse evento, entrevistei Douglas Pierrotti, ex-craque da seleção canarinho de futsal, e um dos heróis de nosso primeiro título mundial, em 1982, também em terras brasileiras, e do bicampeonato em 1985. Na foto abaixo, Douglas está no agachado, ao centro.

Douglas, qual a sua trajetória no futsal?
Comecei a jogar no Palmeiras em 1972, com 13 anos, nas categorias de base. Joguei lá atá meu primeiro ano de juvenil. Em seguida vieram AABB, Gercan, Transbrasil, Trilhoteiro, General Motors, Braido, Banfort (CE). Retornei a São Paulo para o Palmeiras, Denora Permelec, Marvel (de Santos), Maxion, Santos, Corinthians e Uninove. Isso tudo como jogador.
Como treinador comecei nas categorias de base da Euroexport, depois segui para Corinthians, Banespa e na categoria principal comecei na Uninove, e depois fui para Uneb de brasilia, Cus Chieti da Itália, Marcianise da Itália, Montesilvano da Itália e atualmente estou em Santa Catarina na Fundação Municipal Desporto de Rio do Sul.
E como o futsal entrou na sua vida, Douglas? Na época, ele não era um esporte tão difundido...
O futsal entrou na minha vida através de um treinador chamado Heitor, que tinha um time, o Saveiro, que treinava na Igreja São Paulo Apóstolo no Belenzinho, em São Paulo. Este treinador foi convidado para treinar o Palmeiras e me levou junto, e assim começou meu interesse pelo futsal.
O futsal vem travando uma batalha há tempos para ser considerado esporte olímpico. Como você enxerga essa questão?
Eu só acredito quando acontecer mesmo... eu briguei muito com o Havelange sobre essa questão das Olimpíadas e a gente nunca conseguiu nada. Penso que sera difícil isso acontecer... por pouco o futsal não ficou fora do Panamericano... essa briga ainda está começando.
Honestamente, não vejo muito esperança de se tornar esporte olímpico, há muitos fatores contra. Nossa grande esperança é a do Brasil sediar os jogos olimpícos, mas se governo nao dá apoio para os atletas, como podemos sediar uma Olimpíada? Espero ver o futsal como esporte olímpico antes de morrer.
Qual é seu maior ídolo no esporte?
Ayrton Senna, sem dúvida nenhuma. Foi o que melhor representou o nosso esporte e o nosso país. Sem contar que continua ajudando pessoas mesmo depois de morto.
E no futsal?
Vou citar alguns nomes que eu considero os melhores, aqueles que jogariam em minha seleção.
GOLEIROS: pança (ex-Gercan), beto (ex-Sumov), Serginho (ex-Gercan).
FIXOS: Paulinho Rosas (ex-Gercan), Mauro Brasília (ex-Sumov), Schumacher (Intervil - Espanha).
ALAS: Falcão (Malwee), Jacson (ex-Perdigão), Walmir Preto (ex-Gercan), Radamés (ex-Gercan), Sorage (ex-Palmeiras), Zego (ex-Palmeiras), Manoel Tobias.
PIVÔS: Douglas (ex-Gercan), Lenísio (Malwee), Darcio (ex-Palmeiras).
Como você enxerga o desenvolvimento do futsal no Brasil e no mundo? O que ainda falta para uma maior popularização do esporte?
O futsal já é jogado em todos os continentes. Acredito que não há mais nada a se desenvolver, e penso que agora vai só depender da boa vontade de alguém, que eu não sei quem seria, para o futsal se tornar mais forte ainda como esporte olímpico. Pode ser que os europeus tenham medo que o futsal supere o futebol de campo devido ao frio por lá. Pode ser que isso seja um fator que atrapalhe a trajetória do futsal rumo às Olimpíadas.
A Espanha vem se tornando, historicamente, a maior adversária do Brasil. São os atuais bicampeões. Eles são o grande adversário a ser batido, ou há outras seleções correndo por fora?
É importante dizer que a Espanha se preparou para este momento. No Mundial de 85, na Espanha, que foi o meu último, eles fizeram a final contra a gente... Não é de hoje que eles se preparam, é um projeto bem eleborado. Eles possuem um belo campeonato, com vários jogadores brasileiros. Eles estudam o Brasil há muito tempo. Nós é que paramos no tempo. Agora, com essa comissão que está à frente do Brasil com o PC comandando, tenho a certeza que vamos retornar a ser os grandes campeões. Mas devemos ficar atentos também com Itália, Rússia, Argentina e Paraguai. Essas equipes podem atrapalhar nossa caminhada.
Qual foi o melhor momento de sua carreira?
Sem dúvida a conquista do primeiro Mundial de futsal em 1982, em São Paulo, no Ginásio do Ibirabuera com mais de 10 mil pessoas e umas 5 mil fora dele. Foi muito marcante essa final.
Daquele primeiro título mundial do Brasil, em 82, quais são as recordações mais importantes que você guarda? Conte um pouco daquele dia especial pra gente...
Eu me recordo de um Ginásio do Ibirapuera completamente lotado. Tinha fogos, todos cantando sem parar... era uma verdadeira festa brasileira. Mas tinha uma grande equipe do outro lado, o Paraguai. O goleiro deles estava deixando uns milhões de brasileiros muito nervosos, ele colocava copo de água em cima da trave, provocava a torcida, fez o diabo em quadra. Mas, no final, aquele gol do Jacson lavou a alma de todos.
Lembro que antes do gol foi uma falta para o Paraguai perto da área. Os caras tocaram a bola para trás, veio o chute e a bola bateu na trave... Sobrou pra outro jogador que chutou novamente, sozinho, pra fora. O Beto, nosso goleiro, pegou a bola rapidamente e lançou para mim. Eu dominei e, quando girei para chutar, sofri a falta, caindo em cima do goleiro. Aí falei para ele: "se a gente perder esse jogo eu te mato seu fdp!" (risos)
Batemos a falta, Branquinho tocou pro Jacson, e ele botou pra dentro da rede. Eles até trocaram o goleiro. Depois do gol foi só festa.
